AAO - Associação de Agricultura Orgânica

O empurrão de Lutzenberger

Em 1977, a Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo, AEASP, promove o 1º Congresso Paulista de Agronomia. O presidente da AEASP é Walter Lazzarini Filho, o diretor do departamento de Política Profissional, Moacir José Costa Pinto de Almeida e o Secretário Geral, José Pedro Santiago.
O Agrônomo José Lutzenberger é convidado para proferir palestra no Congresso, sobre o uso indiscriminado de produtos químicos na agricultura. Lutzenberger, até então pouco conhecido em São Paulo, causa enorme impacto nos quinhentos participantes do Congresso e é aplaudido de pé.

Em 1978, Lutzenberger é escolhido pela AEASP para receber o Prêmio de “Engenheiro Agrônomo do Ano”. Manoel Baltasar representa o grupo que propõe o nome do agrônomo gaúcho. A reação vem depressa: por pressão de empresas nacionais e multinacionais, é apresentado requerimento à AEASP solicitando uma Assembleia Geral para tentar anular a escolha e evitar entrega do prêmio. A AEASP, seguindo o seu Estatuto, convoca a Assembleia.

A ANDEF, na época com o nome de Associação Nacional dos Defensivos Agrícolas, programa para o mesmo dia da Assembleia, o seu tradicional Almoço dos Engenheiros Agrônomos, a fim de incentivar e facilitar a participação dos seus funcionários na reunião e, naturalmente, votar pela cassação do prêmio. Não adianta, numa Assembleia histórica, com quatrocentos e vinte participantes, nada menos que 414 agrônomos votam pela manutenção do prêmio a Lutzenberger, e apenas 6 votam contra.

Os laços com Lutzenberger se estreitam. Em 1979, durante viagem a Jaboticabal com Walter Lazzarini e Moacir de Almeida, Lutz – como era carinhosamente chamado pelos mais próximos – propõe aos diretores da AEASP a formação de um grupo que, inicialmente, monte um cadastro das pessoas e iniciativas ligadas à Agricultura Alternativa no Brasil (o nome Agricultura Orgânica ainda era pouco utilizado), e em seguida trabalhe pela divulgação do movimento. Um dos primeiros nomes que Lutz sugere para compor o grupo é o de Ana Maria Primavesi.

Nasce o Grupo de Agricultura Alternativa

O grupo sonhado por Lutzenberger passa a se reunir na AEASP no segundo semestre de 1979. Em 25 de fevereiro de 1980, na reunião da diretoria daquela Associação, é apresentada a proposta de criação do Grupo de Agricultura Alternativa – GAA, no âmbito da Diretoria Técnico-Científica da AEASP, dirigida pelo colega Eduardo Pires Castanho Fo (que de vez em quando falava num tal de “composto orgânico”, que pouca gente sabia o que era).

O Grupo se inicia com os agrônomos Ana Maria Primavesi, Eduardo Pires Castanho Fo, João Régis Guilhaumon, José Pedro Santiago, Manoel Baltasar Baptista da Costa, Maristela Simões do Carmo, Moacir José Costa Pinto de Almeida e Paulo Roberto Pires, o “Xiri”. Logo depois, recebe novos integrantes. O nome do Grupo é escolhido para abranger e abrigar as diversas correntes: Agricultura Orgânica, Biodinâmica, Natural e Biológica.

O GAA passa a se reunir quinzenalmente, às primeiras e terceiras 2as feiras do mês, à noite, na sede da AEASP, na Rua 24 de Maio, centro de São Paulo. Obviamente, a noite terminava com pizza, cerveja e muita conversa – a maioria tinha menos de 30 anos de idade. Nos três primeiros meses de vida, o GAA é coordenado pelo Baltasar, que participa também do Grupo de Comunidades Rurais. Três meses depois, é proposta ao Santiago a coordenação do Grupo, e assim é feito.
O lançamento, na AEASP, do livro “Manejo Ecológico do Solo”, de Ana Primavesi, entusiasma o Grupo e o público com os novos conceitos. A obra, um marco na agricultura tropical mundial, sensibiliza produtores rurais, engenheiros-agrônomos, estudantes de Agronomia e outros técnicos ligados ao setor rural, estudantes de Ciências Agrárias e de outros cursos, que começam a se interessar e a conhecer a chamada Agricultura Alternativa. O livro também provoca reações contrárias. Um grupo de professores da ESALQ escreve artigo no JEA – Jornal do Engenheiro Agrônomo, editado pela AEASP, atacando o livro e a autora. Mas não consegue repercussão e os ataques cessam.

A FAEAB amplia o movimento

Em 1979, Lazzarini assume a presidência da Federação das Associações dos Engenheiros Agrônomos do Brasil, FAEAB, levando como companheiros de diretoria dois colegas de São Paulo, do Grupo de Agricultura Alternativa – Moacir de Almeida e Santiago. A AEASP passa a ser presidida por Luiz Fernando de Mattos Pimenta. Ele, e toda a nova diretoria, apoiam integralmente os trabalhos do Grupo de Agricultura Alternativa.

A FAEAB propõe a realização de um grande encontro nacional para discutir e apresentar propostas de desenvolvimento da Agricultura Alternativa. Pensa-se em realizar o encontro no Estado de São Paulo, mas a forte pressão contrária dos fabricantes de produtos químicos aqui sediados e nenhuma esperança de apoio do então prefeito Paulo Maluf, leva a idéia para o Sul.

Curitiba é a opção mais viável, com o liberal Jaime Lerner na Prefeitura, e a ativa AEAPR – Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná pregando a redução do uso de agrotóxicos e a implantação do 

Receituário Agronômico

Vão a Curitiba José Lutzenberger, amigo de Lerner, Paulo Furiati, presidente da AEAPR e membro do Conselho Deliberativo da FAEAB, e Santiago, diretor da FAEAB e coordenador do Grupo de Agricultura Alternativa, conversar com o prefeito de Curitiba. Ele topa na hora, oferece apoio e local para o evento. Assim, de 20 a 24 de abril de 1981, é realizado o 1º Encontro Brasileiro de Agricultura Alternativa. Jaime Lerner abre solenemente o Encontro.

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