agricultura orgânica e segurança alimentar

Notícia | 29/09/2016

a relação entre alimentação e saúde exige uma discussão que vai além das propriedades do alimento. é preciso conhecer sobre produção, afinal, os métodos de cultivo afetam a qualidade do produto.ou seja, há a plantio com a utilização de agrotóxicos e adubos químicos, hormônios, vacinas e antibióticos e há o plantio isentos de qualquer tipo de contaminantes químicos. mesmo que você consuma alimentos saudáveis, a saúde, de fato, só será preservada ao obter alimentos puros e orgânicos.

hoje, 90% da produção orgânica no brasil é proveniente da agricultura familiar. a agricultura orgânica certamente será a base futura de uma produção familiar mais racional de alimentos, pois busca a exploração de sistemas agrícolas diversificados, economia no consumo de energia, preservação da biodiversidade, maior densidade de áreas verdes, tudo isto contribuindo para manter a paisagem mais humana.

e aí, nesse conceito de qualidade de vida e prevenção de doenças, entramos na questão de segurança alimentar, uma vez que a melhor opção para a produção de um alimento seguro está estritamente ligado a produção familiar orgânica.

o alimento orgânico provém de um solo mais rico e equilibrado, tem mais vitaminas e sais minerais, é mais saboroso, principalmente em frutas e hortaliças.

e a produção orgânica vem crescendo em todo o mundo. hoje já são mais de 120 países produzindo alimentos orgânicos, gerando renda bruta superior a 25 bilhões de dólares. no brasil já chegamos a 300.000 hectares plantados, sendo que o paraná é o estado que mais cresce em termos de produção, visto que nas últimas seis safras este crescimento foi superior a 1.000%, e nossa produção na safra 2002/2003 deverá ser superior a 60.000 toneladas.

no entanto, a quantidade produzida ainda é insuficiente para garantir a alimentação segura a toda a população e os preços ainda são muito variáveis.

mas o produto orgânico (em produção) não é caro. na verdade, muitas vezes, é o produto convencional que é ofertado muito barato. é preciso, porém, aumentar o volume de produção orgânica, reduzir os custos e ofertar alimentos seguros por preços acessíveis para a maior parcela da população, procurando com o tempo atingir especialmente os mais necessitados.

Fonte: Iniberto Hamerschmidt, Coordenador Estadual de Agricultura Orgânica da EMATER-PR. Via: Ambientebrasil.com.br (texto original datado em novembro de 2003)